sábado, 11 de outubro de 2008

Top 10 do Festival

Dentre os 45 longas-metragens que vi, eis os melhores:

#10: De Repente, o Inverno Passado
#9: Romance
#8: Feliz Natal
#7: O Visitante
#6: A Mulher Sem Cabeça
#5: Apenas o Fim
#4: O Silêncio de Lorna
#3: O Casamento de Rachel
#2: Happy-Go-Lucky
#1: O Homem que Engarrafava Nuvens

Dentre os curtas, o melhor foi Café com Leite, indiscutivelmente. Mas merece menção Trópico das Cabras, Depois das Nove, Cotidiano, Blackout e Maridos, Amantes e Pisantes.

sexta-feira, 10 de outubro de 2008

Nasce uma estrela

Vcs sabiam que a nossa Geo Euzebio apareceu em destaque em um dos clipes que foram apresentados na cerimônia de premiação do Festival? heheeh

Já está até dando autógrafos na rua...

Acabou!!!!

É, acabou. Agora só ano que vem. Se bem que ainda tem Maratona hoje (acho que irei!) e repescagem semana que vem. Mas oficialmente acabou mesmo. Todos os detalhes (quase todos né, porque eu tinha redigido um texto beeeem mais completo mas a droga do meu navegador fez questão de sumir com meu texto no último parágrafo) estão lá no site. As fotos eu ainda terei que dispinibilizar no flickr.

Quanto à premiação, achei estranho, muito estranho. Não estou contestando o júri nem nada (quem sou eu pra fazer isso? - por sinal, nem vi o Se Nada Mais Der Certo), mas ninguém com quem eu conversei, inclusive a Geo, gostou do filme, ainda que todos tenham dito que a mulher que ganhou melhor atriz realmente está espetacular, a melhor coisa do longa. 

Eu não gostei do A Festa da Menina Morta, do Nachtergaele, e o prêmio de direção foi mais pela persona do que pelo trabalho. A premiação do Daniel de Oliveira idem, afinal só pq o cara fica nu em cena e dá gritinhos efeminados é digno de prêmio?
Blackout é outro que não curti ser premiado. É bom, mas tinham outros bem melhores, como o Café com Leite, do Daniel Ribeiro, o Depois das Nove, do Allan Ribeiro e o Cotidiano, de Joana Mariani. Mas é do Daniel Rezende, com Wagner Moura no elenco e, ainda por cima, com todo o aparato da "indústria" por trás. Vale por ser em um único plano-seqüência. 

Ao final eu, a Geozébio e o Cinco, marido de Geo e nosso fotógrafo, saímos para bebemorar pela Lapa e acabamos expulsos de um videokê às 4 da manhã. Até!

quinta-feira, 9 de outubro de 2008

Responda ao guru!

Longa de Ficção
Quem ganha: Verônica
Pra quem eu torço: Feliz Natal
Quem não deveria ganhar: Rinha

Longa Doc
Quem ganha: Loki - Arnaldo Baptista
Pra quem eu torço: O Homem que Engarrafava Nuvens, mas ele não está na competição...
Quem não deveria ganhar: Contratempo

Curta-Metragem:
Quem ganha: Cotidiano
Pra quem eu torço: Café com Leite
Quem não deveria ganhar: Se Não Fosse o Onofre...

Direção
Quem ganha: Domingos de Oliveira
Pra quem eu torço: Selton Mello e Matheus Nachtergaele
Quem não deveria ganhar: todos os demais

Melhor Ator
Quem ganha: Leonardo Medeiros, se o mundo fosse um lugar justo.
Pra quem eu torço: Leonardo Medeiros
Quem não deveria ganhar: Daniel de Oliveira

Melhor Atriz
Quem ganha: Andréa Beltrão
Pra quem eu torço: Darlene Glória, a verdadeira glória do cineasta...
Quem não deveria ganhar: todas as demais

Prêmio Especial do Júri
Quem ganha: Apenas o fim (com o pesar de nao ter visto, todos disseram que é muito bom)
Pra quem eu torço: A Festa da Menina Morta
Quem não deveria ganhar: todos os demais.

Quem vai ganhar?

Hoje saem os vencedores do Festival do Rio, às 21 horas. Vamos às apostas:

Longa de Ficção
Quem ganha: Feliz Natal
Pra quem eu torço: Apenas o Fim
Quem não deveria ganhar: Todos os demais.

Longa Doc
Quem ganha: Loki - Arnaldo Baptista
Pra quem eu torço: Loki - Arnaldo Baptista
Quem não deveria ganhar: Contratempo

Curta-Metragem:
Quem ganha: Blackout
Pra quem eu torço: Café com Leite
Quem não deveria ganhar: La Dolorosa e Se Não Fosse o Onofre...

Direção
Quem ganha: Domingos de Oliveira
Pra quem eu torço: Selton Mello
Quem não deveria ganhar: Domingos de Oliveira e todos os demais

Melhor Ator
Quem ganha: Daniel de Oliveira
Pra quem eu torço: Leonardo Medeiros
Quem não deveria ganhar: Os protagonistas de Juventude

Melhor Atriz
Quem ganha: Andréa Beltrão
Pra quem eu torço: Darlene Glória
Quem não deveria ganhar: Érika Mader

Prêmio Especial do Júri
Quem ganha: A Festa da Menina Morta
Pra quem eu torço: Feliz Natal
Quem não deveria ganhar: todos os demais.

Como diria a Geo, Malafatus, o Guru. hahaa. Mas não sou bom nessas coisas...

quarta-feira, 8 de outubro de 2008

Considerações

Sim, considerações. Quase finais, porque o festival está quase no fim. Três semanas de correria entre Cais do Porto, Botafogo e Cinelândia (porque o resto a gente abstrai). O esgotamento físico e mental é percebível, é só olhar pra minha cara.

Enfim, não foi o festival dos sonhos. Primeiro, porque os filmes foram ruins (a grande parte deles). Não acho que seja culpa da curadoria, mas sim da safra mesmo. Tá certo que ainda tem algumas coisas pela frente, hoje mesmo vamos assistir a O Silêncio de Lorna (os Dardenne são imbatíveis), o Guerra sem Cortes, Paris e Velha Juventude. Mas mesmo assim, foi complicado.

Outra coisa que problematizou nossa participação foi que eu e a Geo quisemos fazer muito sem ter como. Queríamos estar em dois lugares ao mesmo tempo. No início deu certo, mas começamos a cansar e acabou que muitas das vezes não fizemos nem uma coisa nem outra. A estrutura que criamos pro Festival também deu muita dor de cabeça, às vezes chegávamos 2 horas da manhã em casa e tínhamos q ir escrever e atualizar. No início também deu certo, mas chegou em certo momento que o que a gente mais queria era dormir! 

Chegamos a conclusão que é impossível fazer algo da estrutura que propusemos apenas com duas pessoas. Ninguém aguenta. Colegas de outros sites fazem muito menos, apenas nos blogs e com poucas linhas sobre os filmes. Não é o que a gente queria nem quer para os próximos, mas teremos que arranjar soluções para que possamos aproveitar melhor os próprios filmes.

Digo isso porque antes mesmo do fim da primeira semana de festival a gente não via mais filmes. Eu fiquei três dias sem assistir um sequer, e nessa reta final foram 2 por dia no máximo. Porque festival não é só ir ao cinema: é entrevistar pessoas bacanas, é ir nas coletivas, é fazer novas amizades com pessoas do meio, e é colocar conteúdo no site. E não adianta forçar a barra porque se for pra dormir dentro da sessão, é melhor ficar em casa.

De qualquer forma, temos várias análises pela metade (hahaaha) que serão completadas depois, mesmo após o fim do festival. Há muita coisa para ser discutida ainda, comentada e analisada. 

E espero que a gente possa fazer melhor da próxima vez. 

domingo, 5 de outubro de 2008

Day off

Eu hoje tirei o dia de folga. Até queria ir pra sessões como de 'Choke' e de 'Crítico', mas minha cama hoje me segurou mais forte do que minha vontade de sair de casa em dia de chuva. Logo mais após o dia de ontem, que trabalhei como um condenado.

É bom dar uma descansada, até pq ainda faltam muitos dias de festival. Minha cabeça já estava dando tilt. Enquanto isso, a incansável Geo está à solta por aí. Essa é guerreira!

Pelo menos, assisti ao primeiro grande filme do festival ontem: O Homem que Engarrafava Nuvens. É incrível, tem uma montagem maravilhosa, sobre o Humberto Teixeira, o dr. do baião. O Lírio é o cara, prontofalei. Não percam de jeito nenhum - até pq deve estrear em breve no circuito.

Amanhã terei novidades. Fui!

sexta-feira, 3 de outubro de 2008

Ranking da primeira semana

Sei que a Geo está escrevendo o dela, então vim dar uma rasteira! hehe

1. Happy-Go-Lucky
2. A Mulher Sem Cabeça
3. Feliz Natal
4. O Visitante
5. Gomorra
6. A Erva do Rato
7. Queime Depois de Ler
8. Sereia
9. Rocknrolla -A Grande Roubada
10. De Repente, O Inverno Passado

Listinha furreca essa minha hein? Só os quatro primeiros com nota acima de 6.0...

O Festival até aqui.

Gente, estamos no meio do Festival e chegou a hora de falar um pouquinho, dizer como as coisas têm ido e, principalmente, falar sobre os filmes.

Vou começar com as tristezas de, por exemplo, não ter conseguido ingresso para Vicky Cristina Barcelona, A Viagem do Balão Vermelho e nem A Fronteira da Alvorada, o novo de Garrel-pai com Garrel-filho. Em compensação o que a gente ganhou foi a cabertura de quase todas as noites de estréia de filmes nacionais: A Festa da Menina Morta, Feliz Natal (com crítica sendo preparada), Pan-Cinema Permanente, Última Parada 174. Legal demais poder pensar a produção nacional (pelo menos uma fatia dela) sendo exibida em conjunto, podendo comparar uns com os outros e torcer pelo futuro dos bons.

Bacana também têm sido exercitar o lado jornalista (no meu caso, mais o de fotojornalista) e entender como funcionam questões como pauta e ética da foto com flash (que como dizem os mais engraçados: foto com flash não favorece a beleza dos amigos) e aprendendo com tudo isso da maneira mais, é... embaraçosa é uma boa palavra. O bom é que chega o final do dia é você tem até coragem de chegar pra Alessandra Negrini e dizer 'oi'. Aliás, ela tá lá todo dia, que nem a gente.

Ah, aproveitando que falamos de gente que tá lá todo dia vou contar sobre uma possível pauta aqui do blog dos players: as figuras mais figuras deste festival, entre anônimos que adoram pegar carona na proximidade com os famosos para entregar um currículo ou vender um cd, ou aqueles lunáticos que como todo bom cinéfilo já perdeu muitos parafusos pelo chão do cinema.

E agora, for-fun, vamos rankear os filmes mais legais vistos até aqui?

geo euzebio says:
1. A Mulher Sem Cabeça
2. Feliz Natal
3. O Bom, o Mau e o Bizarro
4. Derek
5. Ano Unha

Menções honrosas à Sinédoque, Nova Iorque (Kaufman, beijomeliga pra gente conversar sobre a sua vida!!!1), A Erva do Rato (com Negrini bonita e corajosa e Selton Mello contido), Liverpool (por que chateou todo mundo, mas me fiz rir).

E agora a sessão beijinhos-da-xuxa para a Érika Liporaci, o Andy Malafatus e o Selton Mello.

E lá se foi mais um dia!

E não foi um dia qualquer. Foi talvez o dia mais estressante de todo o Festival. 

Acordei sabendo que ia entrevistar o Claude Miller sem ver o novo filme dele, Um Segredo (soube depois que teve cabine pela manhã, mas que ninguém ficou sabendo). Fui preparar o roteiro meio às cegas. Aí a Geo Euzebio se atrasa, e me deixa mais nervoso ainda - afinal, era a primeira entrevista da minha "carreira" face to face, a minha primeira entrevista internacional, a minha primeira entrevista em inglês, a minha primeira entrevista em inglês com um francês (MEDO!).

Bom, chegando ao pavilhão, soube que a organização teria como me disponibilizar uma cópia do filme para assistir, mas que minha entrevista seria jogada para frente. Aceitei, claro. Assisti ao filme (a Geo viu grande parte, mas precisou sair pra poder ir cobrir o Cine Encontro, uma espécie de coletiva aberta ao grande público, de Feliz Natal), e tive uns 5 minutos de intervalo para digerir o filme e falar com o cara. 

No início, putz, eu gaguejei tanto que cheguei a pedir ao tradutor que me traduzisse do português mesmo. Mas aí fui me acalmando e as coisas fluíram melhor. Mas não foi grandes coisas mesmo. Melhor sorte espero ter amanhã, com as entrevistas que tenho com a Fernanda Tornaghi & Ricardo Bruno, e com os italianos Luca Ragazzi & Gustav Hofer. O desconto é válido, afinal não sou jornalista.

Terminada as entrevistas, assisti lá pelo pavilhão mesmo o doc Rainhas, sobre o Miss Brasil Gay (o filme é o tema da entrevista com a Fernanda & Ricardo), e depois fui pro Palácio assistir ao divertidíssimo Happy-Go-Lucky, do Mike Leigh, finalmente um filme divertido a valer e, indiscutivelmente, o melhor de todo o festival (dos que eu tenha visto).

Que venha amanhã.


quarta-feira, 1 de outubro de 2008

Feliz Natal!

Calma, ainda não pirei (mas chego lá). É o título do primeiro filme dirigido pelo Selton Mello. Bacana, bacana. Mas olha, o Palácio tinha 1 1/2 de sua lotação hoje. Euzinho, coitado de mim, tive que sentar no chão para assistir, assim como muita gente. A nossa Geo Euzebio, entretanto, sentou confortavelmente na poltrona - e melhor - ao lado do Rodrigo Santoro e do Marcelo Serrado. Tá toda boba por aqui. Haha. 

Aliás, nenhuma sessão deste ano teve tanto famoso! Os citados no post abaixo estavam lá (menos a Malu Mader, que não vi), o Matheus Nachtergaele, a Renata Sorrah (eu já dancei com ela uma vez, beijomeliga Renata!), o Danton Mello, a Narcisa Tamborindegui (sei lá como escreve), Lúcia Mauro, o Paulo Guarnieri, a Fabiula Nascimento (de Estômago), o Babu Santana, a Vanessa Giácomo, o Daniel de Oliveira, Dandara Guerra, Michel Melamed e muitos outros famosos (ou pseudo-famosos, caso queira).

Hoje eu tb assisti a Cantoras do Rádio. Na verdade, fui assistir a Pai Patrão, dos Taviani, mas eu detestei os primeiros minutos do filme e corri para outro cinema (a Geo viu tudinho, ela é corajosa meeeeesmo). Já Cantoras do Rádio foi a sessão mais divertida de todo o festival. Nunca vi o público interagir tanto com um filme. Ora cantava, ora aplaudia. Foi linda a sessão. E o filme é de uma ternura sem fim. 

Bom, agora vou trabalhar. Amanhã entrevisto o Claude Miller. Inté.

terça-feira, 30 de setembro de 2008

Enquete

Quem é o arroz-de-festa do Festival do Rio 2008:

a) Malu Mader
b) Maria Flor
c) Selton Mello
d) Alessandra Negrini
e) Todas as alternativas anteriores

Hora de dormir?

Olá pessoal, deixei esse blog um pouco desatualizado nos últimos dias pq realmente está faltando tempo. Fiquei alguns dias sem dormir (sim, sem dormir) e hoje acabei na cama o dia inteiro. Só agora à noite fui assistir a um dos filmes da Première Brasil, que por acaso é uma tristeza.

Aliás, que ano fraquíssimo. Nenhum filme realmente impressionou. O que gerou mais buxixo eu acabei não assistindo. É um western sul-coreano que, dizem, é engraçadíssimo. Se chama O Feio, O Sujo e o Bizarro. Se continuarem a falar dele como estão falando, vai acontecer o mesmo fenônemo que aconteceu com o O Hospedeiro, tb sul-coreano: ganhar distribuição nacional.

Enquanto isso, a gente torce que os filmes que ainda vêm sejam melhores. Pq já bateu um desânimo danado. 

Ah, ontem foi a coletiva do Última Parada 174 (eu finalmente assisti ao filme tb, antes da entrevista). Estranhei bastante a atitude defensiva do Bruno Barreto em relação a comparações com outros filmes de mesma temática. Também o achei deselegante em certo momento. Enfim, como eu tb não gostei do filme, que se &%#@$.

Fui.

**** Obrigado Érika pela correção!

domingo, 28 de setembro de 2008

Tá difícil

A programação do festival desse ano está cheia de pegadinhas. Alguns filmes passam, vão embora e a gente nem percebe. Hoje, por exemplo, não conseguimos ver o filme da Madonna porque a sessão lotou e os jornalistas, barrados. 

Eis que neste domingo acontece algo parecido. Um Conto de Natal vai passar no meio da tarde e, então, darei adeus a Rinha, um dos filmes da Premiere Brasil que eu mais aguardava. Como fui ver Sinédoque, perdi o brazuca, e depois de hoje não tem mais. Ô inferno.

É muito decepcionante perder filmes que estavam naquela sagrada listinha do "must see". E olha que estamos apenas no terceiro dia de festival.

Meninos, eu vi...

... e não gostei. O único filme que eu consegui assistir hoje (vocês viram o porquê, né?) foi Sinédoque, Nova Iorque. Sucintamente, Charlie Kaufman deveria ter continuado por trás das câmeras, porque o filme é de uma falta de controle criativo incrível. Ok, a gente já sabe que o cara é gênio, mas tem que botar rédeas no maluco senão ele explode o universo (é, eu sei que o Miike já fez isso...).

É uma lástima que Sinédoque (que nomezinho!) desande, porque é honesto e bem humano, mas vira um tour-de-force pro espectador que se depara com um filme cada vez mais pesado, amargo, difícil. Ao final, ninguém com quem eu tenha falado tinha gostado do filme. Era visível a cara de decepção do povo que LOTOU completamente o Palácio como eu nunca tinha visto antes.

Agora, uma constatação: há muito tempo que eu não via uma seleção de filmes tão pesada. É um filme-de-cortar-o-pulso atrás do outro. Sinceramente, espero que Mike Leigh e o seu Happy-Go-Lucky modifique isso, porque haja comprimido pra dor de cabeça.

Até mais.

sábado, 27 de setembro de 2008

Ah, não deixe de visitar

Agora a gente tem tb um álbum de fotos do Festival:


Visitem, comentem, etc.

Convite

Estamos indo assistir Sinédoque, Nova Iorque. Vamos?

1o. dia (pq haja criatividade pra titular esses posts!)

A chuva caiu forte e estragou a tarde de ontem para quem é feito de papel, como eu. Chuva, tô fora. Melhor ficar em casa do que sair, pegar um resfriado e ter que encerrar o festival mais cedo. Foi até bom pq dei uma adiantada em algumas coisas e bati um papo com uma colega húngara da imprensa estrangeira que está pelo Brasil e que vai cobrir o festival tb para uma revista européia - chique, não? O papo, que contou com a nossa ilustríssima Geo, rolou sobre Delta (já leram a crítica?), incesto, Oriente Médio, Goethe, Mephisto, Szabó e afins.

Terminada a sessão São Pedro, saímos para ir buscar as credenciais no centro da cidade. O pavilhão desse ano está incrível (ih, esqueci de tirar fotos, quando eu voltar lá na segunda prometo que tiro e mostro pra vcs), pena que é contra-mão e tenha uma decoração de gosto duvidoso.

Quanto aos filmes, daqueles cinco programados acabei vendo somente dois. Queime Depois de Ler, o novo dos Coen, é divertido, mas não sei se acrescenta algo à filmografia dos caras. É um filme de personagens - e os de JK Simmons e John Malkovich são os melhores. Já o Clooney achei bem apagadão e meio deslocado, enquanto Brad Pitt, afetadíssimo, rouba algumas cenas. E Tilda Swinton e Frances McDormand estão incríveis tb. Enfim, vale por todos. Como filme, tenho minhas reservas. A Geo vai escrever sobre ele.

Eu vou escrever sobre o segundo, o doc brazuca Pan-Cinema Permanente, uma homenagem do diretor Carlos Nader a seu falecido amigo, o poeta Waly Salomão. Agradou, e não só a mim, como a toda a platéia, que reagiu várias vezes. Pena que o Odeon estava meio vazio.

Sobre os famosos que a gente esbarrou, teve Giulia Gam, Malu Mader, Toni Belotto (escreve assim?) e o casseta Hubert.

(Momento constrangedor do dia: estava eu fotografando o Afro Reggae antes da sessão de Pan-cinema Permanente quando um sujeito me cumprimentou ao longe. Não fazia idéia de quem era, mas mesmo assim retribui o cumprimento. Logo após descobri que era o diretor do filme Pan-Cinema Permanente! ¬¬ ).

Bom, fico por aqui porque hoje é dia de surpresas no site. É dia tb de Sinédoque, Nova Iorque e A Fronteira da Alvorada.  -- Feios e Sujos, filme da Madonna, foi impossível de conciliar e não vai dar pra ver mais... só quando sair no Brasil agora.

sexta-feira, 26 de setembro de 2008

Agora começou de verdade

Pessoas, hoje começou o Festival de Rio pra valer. Com a exibição de gala de Última Parada 174, o pontapé está dado. Eu até ia dar uma passada lá, mas como as credenciais ainda não foram entregues, fiquei com medo de não conseguir entrar. Aproveitei pra dar uma adiantada (????) nas coisas por aqui - se perceberem, já postamos as cinco primeiras críticas.

Por falar em trabalho, são cinco horas da manhã nesse momento. E ainda não fui dormir. Vou aproveitar que agora dei um stop definitivo, vou fazer a minha programação de amanhã. Já retorno...

...

Estação Vivo Gávea.... humm... não! Gávea é longe.

...

Estação Botafogo... ok ok! Tem Eu Sou porque nós Somos... humm.. não! O Denunciante, também não... O Visitante, já vi. Ahhh, tem Raquela... putz! A sessão é quase meia-noite. Vou pensar. No outro Botafogo tem Confidencial, Om Shanti Om e As Águas de Katrina. NO WAY! No Espaço de Cinema têm filmes ou que já assisti ou que não interessam. Vamos pra outro bairro.

...

Cinelândia. Pertinho de casa. Vamos ver. As sessões começam tarde. Sentidos a flor da pele, não. Queime Depois de Ler. Quero! Mas... vai ser um problema pra entrar. Vai botar gente pelo bueiro. Pan-cinema Permanente. É sessão de gala, com Afro Reggae batucando e tudo. Pronto, esse tá marcado (ihhh, acabei de lembrar que tenho que postar essa notícia...)

Então marca aí comigo: 22:30 Pan-cinema Permanente (a Raquela dançou)

Continuando na Cinelândia, Palácio (vocês devem ter lido por aqui mesmo que vai fechar, então tenho que ir muito pra me despedir). Opa, tem Última Parada 174. Vou marcar. A Guerra dos Rocha aparece logo depois. Pode ser um tapa buraco.

Agenda atualizada:
17:30 - Última Parada 174
20:15 - A Guerra dos Rocha (talvez)
22:30 - Pan-cinema Permanente (e o Afro Reggae)

Continuando no Palácio, agora na outra sala. Maior, mais forte, mais rápido... não mesmo. Ih, tem Living End. Vou ter que perder. Quem sabe outro dia...

Ainda na Cinelândia, vamos ver agora o CCJF. Dois docs sobre a questão do Oriente Médio. Vou marcar. Eu sempre começo mesmo oficialmente meu festival com docs. É sempre assim.

Atualizando:
14:00 - Dupla Exposição (o sono tá batendo, ia escrever Dupla Aquisição hahaha)
15:15 - Depois da Queda de Bagdá
17:30 - Última Parada 174
20:15 - A Guerra dos Rocha (isso tá aqui ainda?)
22:30 - Pan-cinema Permanente

Ai, acabou de dar vontade de ir tentar ver o filme dos Coen. Que horas é mesmo? Peraí... 20h15! Ahhhhhhh, vale a pena tentar!

14:00 - Dupla Exposição
15:15 - Depois da Queda de Bagdá
17:30 - Última Parada 174
20:15 - Queime Depois de Ler
22:30 - Pan-cinema Permanente

Continuando: Leblon, longe. Barra... hahahaha... uma viagem. Copacabana, preguiça.

É, já tenho minha programação pra amanhã. Ihhhhh, lembrei que tenho que ir no cais do porto pegar a credencial. Melhor eu ir dormir. Tchau.


Ok, eu não esqueci da notícia que tenho que postar. Blé pra você.

quinta-feira, 25 de setembro de 2008

Ontem

É, como a Geo disse no post dela, A Mulher sem Cabeça foi realmente o melhor filme dessa fase pré-festival. Eu estava receoso com a má recepção do filme em Cannes, mas a mulher sabe o que faz.

Quanto ao filme do Lisandro Alonso, chato chato chato. Mas tem gente dizendo que é a última cocada do universo. Ok, então tá. 

Eu não vi o Última Parada 174, estava com febre, mas vi o Inútil, do Jia Zhang Ke. Eu achei que o Jia foi meio covarde no filme, fugindo daquilo que seria o essencial dentro do tema que ele se propõe a falar. Mas vou ficar por aqui pq vou escrever mais a respeito na análise.

Até a volta, com muitas surpresas! :)

A fase pré-festival terminou!

Então amigos, a fase pré-festival chegou ao fim ontem, com as últimas e melhores cabines até aqui.

Logo pela manhã aconteceu a sessão para jornalistas de Última Parada 174, o tal filme nacional escolhido como representante brasileiro no Oscar e sobre o qual pouco se sabia. Roteirizado por Bráulio Mantovani, o filme cria um entorno fictício para a vida de Sandro, cujo desfecho foi assistido ao vivo em rede nacional. Utilizando os chamados não-atores, o filme ganha credibilidade pelas atuações, pelo roteiro bem costurado e pela fotografia de Antoine Heberlé. E como disse anteriormente, é um filme do qual se sai com os sapatos pesados, e isso não é uma metáfora simples: depois de sair da sala, levei uns 20 minutos pra atravessar andando um único quarteirão. E mais não direi, já que a crítica está sendo preparada com todo carinho e estará no ar em breve.

Para não dizer que não reclamamos de nada, tivemos também a sessão de Liverpool, do - como diz o Andy - novo queridinho latino, Lisandro Alonso. Com planos longuíssimos e uma história que praticamente nos é explicada em apenas dois momentos, a fotografia acaba sendo o mais interessante. No final, Alonso ri da nossa cara, mas sinceramente, eu ri de mim e dele, e isso foi o mais bacana do filme todo.

E fechando o dia, A Mulher sem Cabeça da argentina Lucrecia Martel foi até agora meu filme predileto, de um psicologismo intenso e intricando, e demonstrado toda a segurança da diretora... mas também não estragarei as surpresas. Guardemos para a crítica.

Hoje, enfim, é a noite de abertura oficial, com a sessão de 174. Estaremos lá, colados.
Amanhã diremos como tudo se passou!

terça-feira, 23 de setembro de 2008

O retorno dos que não foram

Então, ontem a gente não foi às cabines. Primeiro, estamos cansados. Segundo, temos coisas pra caramba pra fazer até o início do Festival em si, na próxima quinta-feira. Por último, a seleção desse ano - pelo menos os filmes que estão passando nas cabines - está fraquíssima. 

Amanhã a coisa deve - por favor! - mudar. Tem Jia Zhang Ke, Lucrecia Martel, Lisandro Alonso (o novo queridinho latino) e o Última Parada 174, nosso escolhido ao Oscar (que ninguém viu ainda...).

Hoje vimos só dois: Noites de Tormenta (uma tormenta para o espectador, ô filminho ruim) e Sereia, divertido, criativo mas não é ainda algo que a gente possa chamar de "belo filme". O terceiro da noite seria Soi Cowboy, mas desistimos com meia-hora de projeção. Não estou com saco pra ver filme ruim mais.

Bom, vou ser curtinho porque tenho muita coisa pra preparar até quinta-feira, quando o filme do Bruno Barreto estréia e o festival começa realmente.

Inté.

segunda-feira, 22 de setembro de 2008

Dia estranho de gente esquisita!

Putz, eu já tinha terminado o post quando o notebook deu pau e travou e perdi o texto. Holy shit! Vamos lá de novo... e em versão redux.

Hoje tivemos os filmes mais outsiders de até então. Desde irmã Dorothy, passando pelos bilaus do Derek Jarman e de um romeno, até terminarmos em casamento gay. 

O filme sobre a morte da freira na Amazônia, Mataram a Irmã Dorothy, a gente não foi ver. Não que a gente não quisesse (ok, a gente queria, mas não muuuuito), mas tínhamos textos para finalizar. Além do mais, Rio de Janeiro em pleno domingo chuvoso não anima  muito. Quem viu disse que é bacaninha e tal (nada me tira da cabeça que deve ser sensacionalista à beça), ainda que sem impacto para nós, brasileiros, que já conhecemos a história.

Chegamos para ver o segundo da noite, Derek, documentário sobre o famoso cineasta-pintor Derek Jarman, que é um dos homenageados desse ano com toda uma mostra. Jarman, falecido em meados da década de 90 em decorrência da AIDS, ganhou um bonito retrato por parte de sua musa, Tilda Swinton. Eu vou escrever uma resenha exclusiva pro filme depois.

Em seguida, assistimos a Boogie, comédia romântica (??) romena (??). A expectativa era grande e tal, até porque o cinema da Romênia hoje em dia está em primeiríssimo plano. E porque tinha a gracinha da Anamaria Marinca, de 4 Meses, 3 Semanas e 2 Dias. Mas que decepção! Difícil ver filminho mais machista e reacionário que este, que celebra o machón way of life romeno. Um blá blá blá interminável em planos mais intermináveis ainda. Para piorar, há uma cena em que o machón-romeno principal ainda lava o bilau na pia pra todo mundo ver. Sei não... A Geo vai escrever resenha.

O último da noite, De Repente, o Inverno Passado, por sua vez, foi uma delícia (aleluia! não aguentávamos mais filmes depressivos!). Um casal de jornalistas gays decide apresentar em um documentário (caseiro mesmo, filmado em digitais) toda a situação da união estável homossexual no país do Mussolini (ok, peguei pesado com os torcedores da azzurra). E eles entrevistam políticos, militantes de extrema-direita, o povão nas ruas, sempre de forma descontraída, além de apresentarem seus cotidianos de forma carinhosa e não-apelativa. Pena que poucos jornalistas ficaram para assistir ao filme (também, depois da verborragia interminável dos romenos...). 

Bom, vou dormir que amanhã é dia de acordar cedo... tem cabine de Rio Congelado logo pela manhã. Inté!

domingo, 21 de setembro de 2008

Segundo dia das cabines

É pessoal, a idade tá chegando... Segundo dia de cabines e já estou cansadão. Também, depois dos quatro filmes médios pra baixo de ontem, desanima qualquer um. Pra vocês terem uma idéia da rotina dessa época pré-festival (e olha que estamos falando de "pré"), as cabines têm começado às 16:30 e vão até meia-noite. Aterriso em casa por volta das 01:30. Faço algumas coisas no site, escrevo algo e durmo até 13: 30 (hora que acordei hoje). Escrevo algo e... lá vamos nós de novo. Para "piorar", amanhã começam as cabines pela parte da manhã... Rio Congelado vai passar às 10:30. Vida social out-cinema? Zero.

Antes dar dar uma rapidíssima pincelada sobre os filmes de ontem (rapidíssima mesmo, tenho que almoçar, banho e ir pras cabines de hoje), gostaria de dizer que hoje, extamente hoje, especificamente hoje, faz 1 ano que a Geo Euzébio está com a gente no site! Um ano de casa! Fico muito orgulhoso de tê-la chamado pra cobrir o Festival do ano passado comigo e dela ter se tornado uma editora muito querida pelos leitores. Não vou mandar beijos aqui pq posso dar pessoalmente! \o/

Bom, vamos ao filmes de ontem: Delta, filme europeu que escreverei após o almoço. Interessante, mas falho. Rocknrolla - A grande Roubada, novo filme do Guy Ritchie, começa malzão, cheio de narração em off e situações meio enroladas, mas ganha fôlego e ritmo lá pela metade, tornando-se uma agradável surpresa - eu não estava dando nada por ele. A Geo vai escrever sobre ele.

A primeira bomba veio com 14 Quilômetros, filme africano sobre imigração - três jovens cruzando a África para tentar chegar na Espanha ilegalmente - é estranho. Por vezes, parece que não tinham muita grana, aí aparecem várias e várias tomadas de grua em pleno deserto e a gente pensa: "comoooooo?". Enfim, o filme peca por diálogos pueris, pela total falta de domínio da linguagem cinematográfica etc. etc. etc. Mas pelo menos apresenta uma questão que a gente ignora totalmente. 

O último de ontem foi o inacreditável Casa Negra. Esse filme sul-coreano (que eu esperava bastante, por incrível que pareça!) é de dar vergonha alheia. Pelo menos está na mostra certa, a Midnight, para filmes bizarros. Ele começa como filme de psicopata comum, com o tapadinho do herói (um vendedor de seguros) tentando provar que um homem matou o próprio filho pra receber uma bolada. Mas olha, não se engane... a partir da metade vira um freak show na qual algumas pessoas não são o que parecem, e vira um jogo de gato e rato trash. Trashão mesmo!!! Os diálogos são as coisas mais inacreditáveis do mundo. Quando o rapaz pega um manual-de-como-são-os-psicopatas-para-crianças, é de dar dor no estômago de tanto rir. O filme foi aplaudidíssimo - deboche, claro! Mas tenho certeza que muitos vão levar o filme para o lado "sou trash mas sou intencional" e devem gostar. Enfim, recomendo (eu falei isso?) para ver como não se fazer um filme!


Bom, gente, vou lá! 


sábado, 20 de setembro de 2008

Fest. Rio: primeiros três filmes!

É pessoal, começou pra mim hoje o Festival do Rio desse ano. Quem acompanha o Cine Players sabe que é a época mais agitada e querida do ano! A Geo hoje não conseguiu ir, teve prova do mestrado. Mas amanhã ela começa na maratona também!

Bom, vocês devem ter percebido que agora a gente tem um Twitter também, que vai dar em tempo real tudo o que estiver rolando pelo Rio de Janeiro. Ainda estou me acostumando com o treco, mas acho que vai ser bacana.

Bom, quanto ao blog, vou dar uma pequena pincelada sobre os filmes que a gente for vendo. É humanamente impossível ver quatro, cinco filmes em um dia e discorrer sobre eles. Aí a gente faz uma pequena resenha por aqui daqueles que forem menos favorecidos! :)

O dia de hoje foi de três filmes razoáveis. O primeiro, O Visitante, foi o melhor. Coeso, bem ritmado, ótimos atores (cada vez mais adoro o trabalho da Hiam Abbass, e Richard Jenkins em um papel principal!) e que trata de um tema delicado - a imigração - de forma contundente. Bom, eu vou escrever uma resenha longa pra ele, então, fico por aqui.

O segundo foi CSNY Déjà Vu, um doc musical escrito e dirigido pelo ícone folk Neil Young. Olha, sinceramente não gostei muito. Primeiro, vou contar mais ou menos o que é o filme: Young reuniu-se com seus antigos parceiros para fazer uma turnê pelos Estados Unidos em um show altamente politizado, contra a Guerra do Iraque - da mesma forma como faziam na década de 70 em relação à Guerra do Vietnã, e por isso o "déjà vu" do nome. Entre canções irônicas e debochadas contra George W. Bush e muita panfletagem democrata chata, há momentos piegas, outros genuínos, e muita música boa. A melhor seqüência é quando eles cantam em Atlanta, na Geórgia, estado conservador sulista (se lembram das Olimpíadas?). Engraçadíssimo ver a reação das pessoas debandando do show e apontando seus dedos médios para a câmera após a canção mais pesada. Mas o filme se perde muito ao acompanhar histórias de veteranos ou de familiares de mortos na guerra. Parecia outro documentário. Enfim, não recomendo para os que não são fãs de música folk.

Por fim, Gomorra, um retrato bastante cru de uma região italiana - Camorra - dominada pelo narcotráfico e que serve de depósito para lixo tóxico. Acompanhando vários e vários personagens, o filme nos apresenta uma Itália que eu não sabia que existia. Pobre, devastada, decadente. São jovens conhecendo o submundo, pessoas lutando para sobreviver, e muito, mas muito sangue. Não é por nada que alguns garotos do filme têm como ídolo Tony Montana, personagem de Al Pacino em Scarface. É um filme difícil de se acompanhar, pois seus personagens são pelas ações, não há a preocupação de se criar um background - e várias das conexões têm que ser simplesmente supostas. Imagine um Cidade de Deus sem muita presepada, um filme oposto ao cosmética da fome. É mais ou menos o que Gomorra oferece - o filme ganhou o Grande Prêmio no Festival de Cannes desse ano. Mas por mais que seja simples e direto, tem seqüências memoráveis, como uma que um sujeito é o único sobrevivente de uma chacina e, ao sair daquele lugar, é acompanhado por uma câmera em plongée que vai revelando os corpos pelo chão. É um filme difícil, mas dotado de muitas qualidades, e que merece realmente ser conferido.

Bom, amanhã tem mais. Já adianto que o último de amanhã é um terror / suspense sul-coreano que está criando bastante expectativa. Inté!


sábado, 13 de setembro de 2008

Os cinemas de bairro e o Festival do Rio

Algumas estatísticas aterrorizam qualquer brasileiro apaixonado por cinema. Por exemplo, vocês sabiam que menos de 10% das cidades brasileiras possuem cinema hoje (não lembro dos números exatos, mas é algo em torno de 7%). É bizarro pensar que quem faz cinema hoje no Brasil (e eu pretendo ser um deles) não tem alcance algum. E olha que não estou nem adentrando em assuntos como distribuição e exibição, que são tão complexos quanto (a Ancine, a agência reguladora do nosso cinema, está tentando modificar isso, através de incentivos via isenção fiscal, da mesma forma como são feitos a maioria dos filmes hoje).

Essa introdução é apenas para apresentar um grave problema que a cidade do Rio de Janeiro vem enfrentando - e creio que todo os 7% também - o fechamento de cinemas de rua. Hoje, cinema é sinônimo de multiplex, várias salas pequenas reunidas em um shopping passando  o que for de mais pipoca do lixo estadunidense. 

O Rio recentemente perdeu um dos seus cinemas mais charmosos, o Paissandu, no Flamengo, famoso por ter formado nos anos 60 a "geração paissandu", de jovens e intelectuais de esquerda que iam para lá assistir aos filmes de Godard, Truffaut, Antonioni e Malle - não por acaso, a sessão de encerramento do cinema foi Trinta Anos Esta Noite. Há uma confusão entre o Grupo Estação (que controlava o cinema e também responsável pelo Festival do Rio) e o proprietário do imóvel, um disse-me-disse na imprensa e ninguém sabe o que vai acontecer. Mas o Paissandu já está fechado. Fico triste porque frequentei muito pouco este cinema, até porque ficava fora de mão. A última vez que fui por aquelas bandas foi para uma sessão dupla, no próprio Festival do Rio há alguns anos, no qual assisti a Crash - No Limite (e que acabou dando origem àquela crítica minha que está no site, que por acaso é um dos melhores textos que já fiz). 




E quando nós, cinéfilos, já estávamos nos recuperando da notícia desse lamentável episódio, eis que surge outra bomba: o Cine Palácio também está para fechar.  Desta vez, o hotel que está ao lado do imóvel o comprou para fazer do espaço um centro de convenções. O lindo Palácio, inaugurado lá nos anos 20, está para fechar. O Prefeito César Maia (acorda, prefeito!) fez um tombamento provisório do imóvel, mas é até previsível o desfecho desse episódio. Eu, assim como muitos, terão nesse Festival do Rio que começará daqui a 2 semanas, a última oportunidade de freqüentar esse que é um templo do cinema nacional. Será a chance, quem sabe, de fazermos algum protesto ou algo que o valha, já que a comunidade cinéfila estará reunida.

Agora é rezar para que os deuses do cinema preservem o Odeon. Amém.

sexta-feira, 12 de setembro de 2008

Esquentando os Tamborins

Oi, vem sempre aqui? Ok, deixamos esse espaço completamente abandonado nos últimos meses - e nem vou me justificar, pois não há uma justificativa. Mas como o Festival do Rio vem aí, precisaremos do nosso estimado blog para falarmos de tudo o que rolar off festival. Lá no site, as notícias, críticas e o que mais for de sério. Aqui, as fofocas, as tietagens e coisas fúteis afins.

Eu e a Geozebio vamos ficar antenados durante todos os dias de festival, tentando cobrir tudo o que for de mais importante que acontecer pela Riviera Carioca. O Kon Heoli ia nos ajudar, mas teve de cancelar de última hora.

E começando bem nossa cobertura off por aqui, uma notícia em primeiríssima mão (yes!): a Sony acabou de divulgar seus filmes no festival. Vai ter O Casamento de Rachel (sim, sim, Rachel Getting Married, agora com título nacional),  Procedimento Operacional Padrão (Leão de Prata no Festival de Berlim desse ano), Adoração, Segurando as Pontas, Um Lugar Chamado Brick Lane, Quando Você Viu Seu Pai Pela Última Vez e Rio Congelado.

Como o CP está super antenado, todos estes já têm ficha no site. É só ir lá conferir ;)

Meu Nome Não é Rachel

sexta-feira, 6 de junho de 2008

Control, a história de Ian Curtis.

(Control, 2007)


O Joy Division é uma banda que nunca esteve entre as minhas prediletas, apesar de saber cantarolar algumas músicas - já clássicas - deles. À parte disso, convivi com alguns adimiradores da poesia de Ian Curtis e ouvi uma ou duas histórias a seu respeito, que acabei encontrando representadas neste que é o primeiro longa dirigido pelo fotógrafo Anton Corbijn. Ele que, fotografando para a revista NME conheceu a banda e seu vocalista.

Tendo como referência o famoso livro de memórias Touching From A Distance escrito por Deborah Curtis (Samantha Morton), a esposa de Ian (Sam Riley), o filme concentra a maior parte de sua atenção ao triângulo amoroso montando pelo casal Curtis e pela belga Annik Honoré (Alexandra Maria Lara), que era jornalista nas horas vagas e acabou entrevistando a banda, depois do que tornou-se namorada do controverso vocalista, que, para os que não sabem, suicidou-se em maio de 1980.

Não entendo por qual motivo dois filmes são lançados em tão curto espaço de tempo tendo como tema a história do Joy Division, seja falando propriamente da banda ou enfatizando a vida particular de Curtis, mas essa semana estréia também Joy Division, este um documentário, bem mais interessante do que Control.



(Sam Riley interpretando Ian Curtis)



Aliás, comecei este texto para falar do que NÃO é bacana em Control:

1. Anton Corbijn não podia ter achado que por ter conhecido o personagem principal desta história ele estaria apto a contá-la. Saiu de sua posição de fotógrafo e diretor de videoclipes (o clipe de Heart-Shaped Box foi dirigido por ele) para alçar vôos maiores, mas não soube segurar a peteca. Com este relato ele não acrescenta nada de novo a biografia de Curtis, já que apenas reproduz cenas-clichês da história dele, conhecidas de cór e salteado pelos fãs do cantor.

2. Sam Riley a mim não conseguiu convencer, apesar da aparência física com o músico. Faltou um pouco de emoção a alguém que acorda depois de um ataque epilético decidido a tirar a própria vida. Além do que, sua imitação da famosa dança de Curtis me deixou com aquele sentimento de quase-caricatura. No entanto, tanto o personagem quanto sua dança eram peculiares demais, ou seja, acho difícil que alguém consiga imitá-lo melhor.

3. O elenco careceu de um diretor mais competente, porque nenhuma interpretação brilha, nem mesmo Samantha Morton.



(Uma singela homenagem a Ian e sua maneira de dançar)

Agora, há uma coisa digna de comentário positivo, aliás duas: os atores tocando - de verdade - os instrumentos e SamRiley nos vocais, o que produziu alguma estranheza na comparação com os vocais originais, mas isso me pareceu muito mais agradável do que playback e aqueles atores aranhando o dedo em acordes que não existem, coisa que deve ser muito triste para os músicos que se vêem representados ali. E o uso do preto-e-branco que valorizou a fotografia, apesar de - acredito - ter sido usada para acentuar o tom sombrio que envolve a história do músico, sem no entanto ter conseguido.

Mas, eu posso estar totalmente enganada a respeito do que escrevi sobre este filme, porque o pessoal do Festtival de Cannes 2007 deu até prêmio para ele. E ainda elogiou a atuação de Sam Riley. Mas sabe, tem muita coisa no mundo que eu realmente não entendo. Inclusive o fato de Ian Curtis ter escolhido morrer na véspera da viagem de sua primeira turnê na América.

Quem entende?

sábado, 10 de maio de 2008

Vagas para editores e versão 2.4.1 de Cine Players

Puxa, como isso aqui anda vazio... aproveito então para anunciar aqui também que as tão aguardadas vagas para editores foram finalmente abertas. E são cinco desta vez! Nunca foram abertas tantas vagas, mas sinceramente estamos precisando, visto que, como já havia relatado neste post, nossa produção de conteúdo está muito fraca ultimamente.

As inscrições estão abertas até o último dia de maio, e vai demorar umas duas semanas para analisarmos todos os currículos para definir quem serão os novos editores do site. Após esse processo ser encerrado, daremos início ao desenvolvimento da versão 2.4.1 de Cine Players que, entre outras novidades, contará com:

- seção Oscar permitirá mais de um vencedor por categoria (é uma limitação que temos no sistema hoje que será resolvida);
- top de filmes mais votados - qual o filme mais popular do site?
- novos avatares para os leitores - hoje disponibilizamos apenas o velho sombra (abaixo). Teremos mais opções, visto que atualmente há muitas imagens quebradas nas fotos dos leitores. Isso também é parte de um esforço para enriquecer a recém-criada "Central de Usuários".
- a busca do topo da página trará resultados de palavras-chave, dando continuidade à integração desse ótimo recurso dentro do site.
- fórum por filme: cada ficha de filme (seja ele lançado ou ainda não lançado) terá um fórum para troca de idéias e discussão sobre o filme.




segunda-feira, 28 de abril de 2008

Trick or treat?


Ninguém ainda sabe se é verdade, mas a bomba que explodiu hoje em todos os veículos de comunicação é que a Fox estaria preparando mais um Velocidade Máxima. O estúdio nega, mas já existem sites sobre, inclusive com uma imagem promocional de Sandra Bullock dentro de uma... nave espacial!


Como se bizarrice pouca é bobagem, Dennis Hopper parece que está no longa (peraí, ele não tinha morrido lá no primeiro filme?). Para completar a festa do monstro maluco, só falta Keanu Reeves e Jason Patric aparecerem como um casal gay e Jan de Bont ser ressuscitado.


É mole?

sábado, 26 de abril de 2008

Muito Além do Jardim

Filmaço. É impressionante as proporções que as coisas tomam, hehe, mesmo que não seja tão real. Peter Sellers formidável, nem dá para imaginar a mesma pessoa de Dr. Fantástico.

E vocês? O que andam vendo?

Vácuo criativo

Como os leitores já devem ter percebido, Cine Players está atualmente passando por um vácuo criativo em termos de criação de conteúdo crítico. Acontece!

Como contraponto, na semana passada batemos nosso recorde diário de visitantes, motivo que mostra que o site continua crescendo às pampas.

Em breve provavelmente (e note o negrito) teremos novas vagas para editores sendo abertas. Fique ligado! As informações estarão disponíveis na capa do site.


quarta-feira, 16 de abril de 2008

A famigerada década de 80 (um comentário)

Não é engraçado ver que o Demetrius só citou filmes estadunidenses? Confesso que não entendi nada.


Esses adolescentes...



Correção: antes que alguém me espinafre, sei que tem títulos ingleses ali também, mas vocês entenderam o que eu quis dizer.

sábado, 12 de abril de 2008

A famigerada década de 80

Conversando com os muitíssimo bem informados adolescentes que lêem o Cineplayers (impressionante o quanto essa garotada entende de cinema!), estou revendo minha posição sobre a década de 80. Escrevi que, fora Blade Runner e Amadeus, o resto da produção cinematográfica da “década perdida” podia ser jogado fora.

Três garotos me fizeram ver que alguns filmes do Woody Allen valeram a pena e, em especial, as obras de Lawrence Kasdan, como O Turista Acidental, grande filme – dele, eu ainda prefiro O Reencontro e Grand Canyon- Ansiedade de uma Geração – não são de se jogar fora. E não são mesmo.

O Turista Acidental é de 88 e concorreu ao Oscar junto com o excelente Ligações Perigosas, outro grande filme. De 1980, tem Touro Indomável e O Homem Elefante, filmes que considero medianos.

De 1981, Os Caçadores da Arca Perdida.

De 1982, E.T. – O Extraterrestre e Tootsie.

De 1983, Os Eleitos.

Em 1984, além do citado Amadeus, há Passagem para a Índia, excelente também.

Em 1985 tivemos A Cor Púrpura, O Beijo da Mulher Aranha.

Em 1986, Hannah e suas Irmãs, Platoon e Uma Janela para o Amor.

Em 1987, O Último Imperador, filme menor de Bernardo Bertolucci.

Charlton Heston

Um último comentário sobre a morte de Charlton Heston.

Perguntaram certa vez à pensadora e feminista Simone de Beauvoir se ela via os épicos bíblicos e ela, atéia confessa, disse que sim, claro, "para ver as pernas dos centuriões romanos".

Para tanto, ela se sentava logo nas primeiras filas dos cinemas.

quarta-feira, 9 de abril de 2008

Os premiados no É Tudo Verdade:

Competição Internacional
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Longa/Média Metragem
Melhor Documentário - Cosmonauta Polyakov, de Dana Ranga (Alemanha)

Curta-metragem
Melhor Documentário - Apenas Um Odor, de Maher Abi Samra (Líbano)



Competição Brasileira
________________________________________

Longa ou Média Metragem
Melhor Documentário Prêmio CPFL Energia É Tudo Verdade “Janela para o Contemporâneo” - Pan-Cinema Permanente, de Carlos Nader
Menção Honrosa - Simonal – Ninguém Sabe o Duro Que Dei, de Claudio Manuel, Micael Langer e Calvito Leal
Menção Honrosa - O Aborto dos Outros, de Carla Gallo

Curta-Metragem
Melhor Documentário - Remo Usai – Um Músico Para o Cinema, de Bernardo Uzeda
Menção Honrosa - Dossiê Rê Bordosa, de César Cabral


sexta-feira, 4 de abril de 2008

Versão 2.4.0 a todo vapor

O desenvolvimento da versão 2.4.0 do site está indo de vento-em-popa. O prazo de final de maio vai se cumprir (se não surgir nenhuma calamidade pública, é claro), e todas as novidades prometidas anteriormente vão ser entregues. Já temos uma lista muito grande de sugestões para as futuras versões do site, que incluem, entre outras coisas:

- séries televisivas;
- top de palavras-chave (as mais populares);
- avatares pré-definidos para os usuários do site (além do já tradicional "homem sombra", vamos incluir outras opções);
- cadastro de conteúdo pelos usuários;
- cobertura de bilheterias;
- lista "quero assistir", que possibilita ao usuário criar um cadastro dos filmes que deseja ver.

Há muito mais do que isso que está listado aí em cima, mas vamos por partes. Antes, porém, aproveitem a versão 2.3.1 que já é completíssima e curtam as prometidas novidades para a próxima versão. Quem ama cinema, agradece.

Update 06/04/2008: como já devem ter percebido, apenas um dia depois do post a versão foi lançada. Realmente foi rápido. Agora é voltar ao trabalho normal do site, o que inclui novas críticas, atender alguns pedidos de fichas de leitores, atualizar fichas sob solicitação de leitores, etc. Boa leitura!

É Tudo Verdade: último post.

Mostra Competitiva – Longas:

Cosmonauta Polyakov (Cosmonaut Polyakov. Dana Ranga, 2007)

Polyakov é um russo e foi o homem que mais tempo passou ao redor da terra. Grande conhecedor das minúcias da vida no espaço, o filme é uma entrevista didática em que ele nos conta e mostra o lado bom e ruim de ser astronauta. O processo probatório, o dia-a-dia no espaço, as conseqüências da falta de gravidade e radiação para o corpo humano, a experiência de comunhão com os outros tripulantes, vivendo em conjunto por tanto tempo, e sua família em terra, são tópicos do documentário. Com uma inocência infantil, Polyakov se emociona quando lembra que estar no espaço foi uma das mais felizes coisas que realizou durante a vida. Um pequeno diferencial no curso normal dos documentários é que durante a entrevista, víamos também uma sessão de fotos com o astronauta russo, e posteriormente algumas manipulações dessas imagens.

Vivendo hoje de treinar e estudar as possibilidades de viagens tripuladas à superfície de Marte, ele revela que existem homens que nascem para exercer esse papel maior e anularem-se em prol de algo mais valioso no curso da história das sociedades. Pelo menos Polyakov pode dizer que cumpriu seu papel.

Mostra Restrospectiva do Documentário Experimental Brasileiro:

Semi-Ótica (Antonio Manuel, 1973)

Utilizando fotos de crimes e de alguns homens comuns, o documentarista cria uma pequena ficha que propõe novas identidades aos fotografados, inserindo-os em novos contextos sociais que não os deles, inclusive alterando a catalogação da cor de suas peles, ou mesmo o sexo. Numa referência clara à temática levantada por Hélio Oiticica – Seja Marginal, Seja Herói – em que deu status de arte à foto do corpo morto do conhecido bandido da década de 1960, Cara de Cavalo, Antonio Manuel procura reavivar esta idéia, retirando da marginalidade alguns personagens desconhecidos.

Juvenília (Paulo Sacramento, 1994)

Produzido com apoio da ECA-USP esse documentário que mais parece um curta-metragem de ficção, mostra através de fotos estáticas um grupo de jovens se divertindo enquanto torturam um vira-latas. Usando vários tipos de apetrechos como pás, marretas e pedras, a ação dos jovens causou certo desconforto à moça que estava ao meu lado, que preferiu virar o rosto durante os 7 minutos de duração do curta.

Utilizando a música para enfatizar a ação, uma curiosidade sobre o filme é a atuação de Soninha, a ex-vj da MTV e hoje deputada (?) pela cidade de São Paulo.

Chapeleiros (Adrian Cooper, 1983)

Mostrando a ação de um dia numa fábrica de chapéus, o que vemos é todo o processo produtivo na confecção do produto, os movimentos repetidos, as diferentes funções e a variação das pessoas que compõem os trabalhadores da fábrica: adolescentes, donas-de-casa, rapazes com jeito de galã, senhores e senhoras de idade que durante o processo se igualam pelo trabalho e se individualizam apenas no final do dia, quando deixam a fábrica e voltam a seus cotidianos e referências singulares.

Interessante é que o cineasta enfatiza, durante a saída, que alguns trabalhadores usam chapéus. De onde terão vindo eles, os chapéus?

Vera Cruz (Rosangêla Rennó, 2000)

Numa tela quase branca alguns traços que se movimentam ao ritmo do mar, cujo som escutamos e que varia de acordo com a tonalidade da tela, dando idéia de claro-escuro. Assim é que lemos os possíveis diálogos que envolveram a chegada das naus de Cabral às terras brasileiras. O primeiro contato com os índios; as trocas; a primeira missa; o espanto com os corpos nus e as tentativas de misturarem-se e conhecerem melhor uns aos outros são o teor dos diálogos.

Uma nova forma de tratar o conhecido texto da carta de Pero Vaz de Caminha, excluindo a dramatização – em geral, tão cafona – do encontro entre portugueses e índios. O documentário apenas sugere aquilo que nunca poderá voltar a ser reproduzido com exatidão: a imensidão do novo. Para ambos os lados desse diálogo.

Com esse último post me despeço do É Tudo Verdade, que continua até domingo aqui no Rio de Janeiro.

Outro dia posto sobre os vencedores das mostras competitivas.

quinta-feira, 3 de abril de 2008

É Tudo Verdade: Cinema Inocente e Subindo o Rio Amarelo

Mostra Retrospectiva do Documentário Experimental Brasileiro

Cinema Inocente (Júlio Bressane, 1980):

Um documentário cujo elemento fundamental é a montagem, em que Júlio Bressane sai a procurar de Radar, montador de uma centena de pornochanchadas e figura por demais simpática. Aproveitando o fato de ter sido chamado pelo entrevistado de Pedrinho e cineclubista, Bressane parece convencer o montador a uma jogada lúdica, a possibilidade de ser o ator dessa vez, sendo ele mesmo. E a partir daí vemos várias situações cujas correlações são a montagem e a ‘desestigmação’ do cinema, no sentido de que tudo gira em torno dos clichês e dos ícones maiores da sétima arte: entre uma cena e outra, a intercalação de clássicos do nascimento do cinema – quando o simples registro do cotidiano era o principal tema -, e cenas de pornochanchadas, além de muitos devaneios; folheamos um exemplar inteiro de Cahiers du Cinéma, assim como vemos Bressane entrevistar um pseudo cineasta francês, amigo de Radar, tudo isso baseado no mote do filme: cinema inocente é aquele que é feito sem a consciência do que é cinema.

Sabe que no final das contas eu cheguei mesmo a duvidar que Radar se chame Radar e saiba montar um filme?

(Se não fosse pelo Bergman, elegeria este o melhor filme do dia)

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Mostra Competitiva - Longas

Subindo o Rio Amarelo (Up the Yangtze. Yung Chang, 2007):

Um documentário que se ocupa em mostrar uma das faces do novo capitalismo criado pela China, cujos impactos da criação de uma das maiores hidrelétricas do mundo, a Três Gargantas, é sentido pelo homem comum. Uma das cenas mais impactantes inclusive é a de homem, que como todos os 4 milhões de relocados devido a criação da barragem, não consegue esconder a própria emoção ao dizer que é muito difícil o cotidiano de um homem comum na China hoje, deixando de lado a costumeira contenção de sentimentos ligada aos orientais. O que significa dizer que sua dor deve ser realmente forte.

Através da história de uma família pobre, cujo maior benefício é o fato de morar nas margens do Rio Amarelo, aproveitando a fertilidade do solo para plantar a própria comida, vemos a dura realidade da transição forçada por condicionadores econômicos e o esfacelamento dos sonhos de uma jovem que preferia continuar seus estudos a ter que aceitar o trabalho num dos muitos transatlânticos que cruzam o rio, cheio de turistas em busca de conhecer uma China antiga que já não existe mais.

Todo o processo incluindo a ocidentalização do próprio nome, além da necessidade desse trabalho para que sua família possa sair da margem do Rio Amarelo é sofrida. E o interessante é conseguir perceber o que os cidadãos comuns também devem ter sentido na transformação – por exemplo – da cidade de São Paulo naquela cidade moderna que vi ontem em Sinfonia da Metrópole...

É Tudo Verdade: A Voz de Bergman


Mostra Especial

A Voz de Bergman (The Voice of Bergman. Gunnar Bergdahl, 1997):


Acompanhados por Malu Mader na platéia, assistimos a essa conversa/aula com o diretor sueco, morto ano passado. Um documentário preocupado em conhecer a metodologia, os gostos e as vontades de um dos diretores mais prestigiados pelos estudiosos/amantes de cinema. Uma conversa em 8 atos, todos relacionados ao cinema e sua magia. Uma magia que Bergman considera como potencialmente prazerosa, já que ao juntar as várias anotações de seu caderninho transformando-as em uma coisa só, a poderosa sensação de ser o arquiteto das situações de uma vida é o melhor jogo de todos. Ao mesmo tempo em que não há motivo para a existência de um filme sem que ele consiga emocionar o espectador.

Às vezes os personagens saíam de sua cabeça e iam andando por conta própria, ao que Bergman precisava segui-los e isso era um pouco trabalhoso, dizia ele. Aliás, segundo conta, seus roteiros escapavam ao tédio comum embutido a esse tipo de texto, já que ele minuciosamente se dava ao trabalho de escrever as cenas falando de suas cores, cheiros e até dizendo claramente aquilo que gostaria de ver ao fazê-la para que fosse visualmente aprovada por todos os participantes do processo, principalmente os atores. E é fácil perceber que o diretor se empolga não somente com a amarração das tramas, mas com a criação de imagens, e em algum momento o vemos falar sobre o cinema mudo em que toda a experiência sensorial é repassada ao espectador unicamente de forma visual. Com isso pode-se supor algum purismo do sueco, para logo em seguida ouvi-lo dizer que tudo se transforma com o tempo, inclusive o cinema, dando a entender que chegou o dia em que só as imagens não sustentavam a transmissão de emoções.

E tremei amigos: ele não se esquece de falar sobre os críticos, dizendo que durante algum tempo eles participavam de discussões com os cineastas, e ele mesmo gostava de ouvi-los por sua erudição e embasamento. Atualmente, no entanto, ele consegue perceber que a necessidade urgente de criticar, devido ao acúmulo de produções, empobrece o trabalho, no sentido em que não há mais tempo para discussão e amadurecimento sobre a sensação de assistir às produções. Aí é que entra uma dúvida minha: em outro momento da conversa, Bergman cita um compositor que diz nunca ter compreendido a música, apenas aprendeu a senti-la, para afirmar que se você se esforça para entender o cinema de alguém, perde o foco real da atenção que são os sentimentos proporcionados pela película. Se estivesse lá, eu perguntaria: então o papel da crítica é o de confrontar opiniões acerca das sensações proporcionadas pelo filme? Bem que alguém já disse que a crítica é algo subjetivo, e nesse caso Bergman me deu mais uma peça desse quebra-cabeça que é entender o que venho fazendo, inclusive agora enquanto falo sobre este documentário, enquanto falo sobre ele.

Essa é uma compreensão que ele estende ao fazer-cinema. Durante a entrevista diz que assistia a todas as produções suecas de um ano durante o verão, e percebia na nova safra de diretores de seu país um grande talento para compor imagens e enredos, na montagem e na escolha das seqüências certas aos fins que se propunham. No entanto, Bergman sentia que todo o apuro técnico encontrado nisso não conseguia encobrir a deficiência – comum entre os novos – de não saber tocar o coração de sua própria história. E quando falo ‘coração da história’ estou reproduzindo a própria figura utilizada pelo diretor, e não usando uma licença poética para interpretá-lo. Ligado a isso, ele resume a ‘eficiência’ de um filme à fidelidade da produção à verdade do diretor/criador, ao tal ‘coração de sua própria história’. Afinal é isso que vale, e o que cabe ao espectador é conectar-se a essa sensibilidade, senti-la também.

Engraçado é vê-lo comentar sobre a infrutífera idéia de um filme em extreme close-up, da força dessa imagem de outro ser humano em close hipnotizando a platéia, sendo que neste documentário praticamente a imagem que se vê é a do diretor, não exatamente num close super, mas apenas ele, falando e hipnotizando a todos nós. Da mesma forma é engraçado vê-lo dizer que festivais são uma coisa cabível à indústria do cinema e interessante dentro do processo de venda dos filmes. Até legais, segundo ele, apesar da desconfiança de que se possa absorver mais de dois filmes por dia. Ao final diz que muitos festivais podem ser feitos, sem que no entanto o convidem. E ele aqui, como uma das figuras especiais deste festival. Pobre Bergman?

Termino como ele, dizendo que é melhor parar por aqui, pois eu poderia falar sobre esse documentário durante horas...

quarta-feira, 2 de abril de 2008

É Tudo Verdade: Wholes e São Paulo: A Sinfonia da Metrópole

Hoje na mostra Retrospectiva do Documentário Experimental Brasileiro um dos destaques era São Paulo, Sinfonia da Metrópole, produzido em 1929, uma das raridades da Cinemateca Brasileira. Os curadores tiveram o cuidado de pôr Wholes de A.S. Cecílio Neto, documentário de 1991, como seu par. E se o segundo não é bem um complemento do primeiro, também não podemos descartar as suas afinidades.

Ambos tratam a cidade de São Paulo como personagem, e em certa medida como um organismo vivo, tentando assim mostrá-la através da humanização. E isso é mais facilmente perceptível em Sinfonia da Metrópole, filme mudo que traça a trajetória de 'modernização' de São Paulo usando um artifício intressante: vemos a sinfonia sendo montada aos poucos, acompanhando o ritmo da cidade desde seu despertar, até sua volta à quietude e tranquilidade no início da noite, sendo desta forma possível captar um ciclo inteiro deste organismo cujas engrenagens (termo muito apreciado pelos artistas da década de 1920, quando qualquer menção à máquinas era sinônimo de modernidade) trabalhavam em um ritmo comum e conjunto, contribuindo assim para sua evolução.
É bom dizer que a dupla de produtores húngara, Adalberto Kemeny e Rudolf Rex Lustig, donos da produtora Rex Filme, foram nomes importantes para o surgimento da Vera Cruz devido a seus conhecimentos sobre revelação de filmes cinematográficos e fotografia, conhecimentos estes extremamente necessários a criação de uma indústria nacional de cinema. Inspirados no filme Berlim, Sinfonia de uma Metrópole (de Walter Rutmann, 1927) os cineastas fizeram deste que mais parecia (e deve ter sido) uma peça publicitária encomendada pelo governo da cidade num filme experimental, que com fotografia e trucagens modernas à beça surpreende pela qualidade e ousadia do registro, e que por isso mesmo é considerado um clássico do documentarismo nacional. Em alguns momentos me lembrou muito o Metropolis de Fritz Lang, com suas transições entre mecanismos de relógios e a atividade da cidade, com suas fábricas e efervercência citadina. Ou quando mostra uma paisagem urbana em que numa montagem, aviões de brinquedo voam pelo céu para ressaltar o tamanho do progresso que existia ali.

Já Wholes, o outro filme, segue esse mesmo caminho, o de transpôr o próprio título do festival onde É Tudo Verdade e brinca com o gênero, levando para o formato uma crítica lúdica sobre a cidade de São Paulo que em 1991 já está cansada do título de uma das maiores cidades do planeta - que como diz a narradora, não sei a sexta ou a sétima, mas sei que grande - e com problemas bem sérios para se resolver, como a desigualdade social, a educação infantil pautada pela programação da tv e os vários buracos e inexistências que preenchem o vazio da metrópole.
No final Wholes nos deixa uma boa dúvida: será que São Paulo existe? Será que as metrópoles existem?

terça-feira, 1 de abril de 2008

Cine Players no É Tudo Verdade


Começou na última sexta-feira, dia 28, o 13° Festival Internacional de Documentários É Tudo Verdade, versão 2008.

Este ano a programação traz, além das mostras competivas (para documentários de longa/ média-metragem e para os de curta-metragem, em nível nacional e internacional), uma retrospectiva do documentário experimental brasileiro e outra com 10 documentários que mudaram o mundo (incluíndo Tiros em Columbine de Michael Moore e A Revolução Não Vai Passar na TV de Kim Bartley e Donnacha O'Brian). O Festival ainda conta com as mostras O Estado das Coisas, Foco Latino-Americano e Horizonte.

Um dos destaques nacionais é a estréia da produção dirigida por Patrícia Pillar: Waldick, Sempre no Meu Coração, que como o nome sugere traz um olhar sobre a vida de um dos cantores populares mais amados do Brasil, Waldick Soriano.

Outra novidade é a ampliação da rota
do É Tudo Verdade : além de São Paulo e Rio de Janeiro, Brasília, Recife, Bauru-SP e Caxias-RS receberão o festival. Então fique atento, e se te interessa conhecer melhor a natureza e as possibiliades cinematográficas do gênero documental, é só clicar aqui e fique sabendo sobre a programação na sua cidade.

O Cine Players estará cobrindo a parte carioca do festival com uma enxuta equipe, num esforço para tentar trazer algumas boas impressões do que de melhor acontecer por lá (ou por aqui, depedendo de quem lê)

Aguardem as notícias.



Charles Chaplin


"Já perdoei erros quase imperdoáveis,
tentei substituir pessoas insubstituíveis
e esquecer pessoas inesquecíveis.

Já fiz coisas por impulso,
já me decepcionei com pessoas quando nunca pensei me decepcionar, mas também
decepcionei alguém.

Já abracei pra proteger,
já dei risada quando não podia,
fiz amigos eternos,
amei e fui amado,
mas também já fui rejeitado,
fui amado e não amei.

Já gritei e pulei de tanta felicidade,
já vivi de amor e fiz juras eternas,
"quebrei a cara muitas vezes"!

Já chorei ouvindo música e vendo fotos,
já liguei só para escutar uma voz,
me apaixonei por um sorriso,
já pensei que fosse morrer de tanta saudade
e tive medo de perder alguém especial (e acabei perdendo).

Mas vivi, e ainda vivo!
Não passo pela vida…
E você também não deveria passar!

Viva!
Bom mesmo é ir à luta com determinação,
abraçar a vida com paixão,
perder com classee vencer com ousadia,
porque o mundo pertence a quem se atreve
e a vida é "muito" pra ser insignificante."

- Charles Chaplin

http://www.youtube.com/watch?v=EsXq04ldhmM

http://www.youtube.com/watch?v=J3Pl-qvA1X8

segunda-feira, 31 de março de 2008

Quando a coisa ficou preta

Leio O Filme Noir, de Patrick Brion, cartapácio de 450 páginas sobre o que o autor chama de “A idade de ouro do filme policial americano, de Alfred Hitchcock a Nicholas Ray”. Ele analisa 82 filmes, contando várias fofocas de bastidores. A lista começa com Rebecca (1940), de Hitch, e vai até A Bela dos Bas-Fond (Party Girl, 1958), de Ray, como diz o subtítulo do livro.

Ele pára sua análise antes dos anos 60 porque, segundo Brion, o filme noir teria entrado em decadência a partir daí, apesar de admitir haver vários grandes filmes noir a partir dessa data. Ele disse querer se concentrar no auge.

O mais interessante é uma exaustiva lista que ele publicou logo no início da obra levantando TODOS os filmes noir do período. Ele os dividiu em três colunas: “os filmes noir” (os propriamente ditos), “em torno do filme noir” (tinham temas de crime, morte e sedução, mas não se alinhavam na estética) e “outros títulos” (filmes que foram influenciados pelos noir).

A terceira lista, por vezes hilária, tem filmes como Cidadão Kane, Bambi, O Grande Ditador. A segunda vai de Casablanca, O Retrato de Dorian Gray e O Homem que Sabia Demais.

A preciosíssima lista de todos os 203 filmes noir clássicos vem recheada da ficha técnica completa, várias informações curiosas, inúmeras fotos, biografia dos atores etc. Nos 82 selecionados como mais importantes pelo autor, análises curtas de 2 páginas até pequenos ensaios de 10 páginas, dependendo do gosto particular do autor.

Tudo saboroso, escrito sem nenhuma arrogância, sem fugir de nenhum assunto – por exemplo, traz uma frase da Veronika Lake reclamando que a figurinista Edith Head, bissexual assumida, beliscava a bunda as atrizes durante as provas de figurino.

Não resisti e segue a lista dos 82 filmes selecionados por Patrick Brion. Só Hollywood, infelizmente.

1940
Rebecca, a Mulher Inesquecível (Rebecca) Alfred Hitchcock

1941
O Falcão Maltês/Relíquia Macabra (The Maltese Falcon) John Huston
O Último Refúgio (High Sierra) Raoul Wash
Fúria no Céu (Rage in Heaven) W. S. Van Dyke II
Suspeita (Suspicion) Alfred Hitchcock
Quem Matou Vicki? (I Wake up Screaming) H. Bruce Humberstone
Estrada Proibida (Johnny Eager) Mervyn Leroy

1942
Capitulou Sorrindo (The Glass Key) Stuart Heisler
A Sombra de um Dúvida (Shadow of a Doubt) Alfred Hitchcock

1943
Quem Matou Quem? (Who Killed Who?) Tex Avery
A Dama Fantasma (Phantom Lady) Robert Siodmak

1944
Pacto de Sangue (Double Indemnity) Billy Wilder
Laura (Laura) Otto Preminger
Trilhos Sinistros (Murder, My Sweet) Edward Dmytryk
Um Retrato de Mulher (The Woman in the Window) Fritz Lang
The Strange Affair of Uncle Harry Robert Siodmak

1945
Alma em Suplício (Mildred Pierce) Michael Curtiz
Curva do Destino (Detour) Edgar G. Ulmer
Quando Fala o Coração (Spellbound) Alfred Hitchcock
Amar foi minha Ruína (Leave Her to Heaven) John M. Stahl
Anjo ou Demônio (Fallen Angel) Otto Preminger

1946
Três Desconhecidos (Three Strangers) Jean Negulesco
Gilda (Gilda) Charles Vidor
O Destino Bate a sua Porta (The Postman Always Rings Twice) Tay Garnett
Envolto nas Sombras (The Dark Corner) Henry Hathaway
A Dália Azul (The Blue Dahlia) George Marshall
Uma Aventura na Noite (Somewhere in the Night) Joseph L. Mankiewicz
Os Assassinos (The Killers) Robert Siodmak
À Beira do Abismo (The Big Sleep) Howard Hawks
Espelhos d’Alma (The Dark Mirror) Robert Siodmak
Correntes Ocultas (Undercurrent) Vincente Minnelli
A Dama do Lago (Lady in the Lake) Robert Montgomery

1947
O Beijo da Morte (Kiss of Death) Henry Hathaway
Prisioneiro do Passado (Dark Passage) Delmer Daves
Sem Sombra de Suspeita (The Unsuspected) Michael Curtiz
O Beco das Ilusões Perdidas (Nightmare Alley) Edmund Goulding
Fuga do Passado (Out of the Past) Jacques Tourneur
O Segredo atrás da Porta (Secret Beyond the Door) Fritz Lang

1948
Cidade Nua (The Naked City) Jules Dassin
A Dama de Shanghai (The Lady from Shanghai) Orson Welles
Rua sem Nome (The Street with no Name) William Keighley
Paixões em Fúria (Key Largo) John Huston
Uma Vida Marcada (Cry of the City) Robert Siodmak
A Taverna do Caminho (Road House) Jean Negulesco
A Força do Mal (Force of Evil) Abraham Polonsky
Baixeza (Criss Cross) Robert Siodmak

1949
Shockproof Douglas Sirk
Ninguém Crê em Mim (The Window) Ted Tetzlaff
Fúria Sanguinária (White Heat) Raoul Walsh
Amarga Esperança (They Live by Night) Nicholas Ray
A Ladra (Whirlpool) Otto Preminger
Pecado sem Mácula (Side Street) Anthony Mann
Maldição (House by the River) Fritz Lang

1950
Pavor nos Bastidores (Stage Fright) Alfred Hitchcock
O Segredo das Jóias (The Asphalt Jungle) John Houston
Sombras do Mal (Night and the City) Jules Dassin
Passos na Noite (Where the Sidewalk Ends) Otto Preminger
Mortalmente Perigosa (Gun Crazy) Joseph H. Lewis
O Cúmplice das Sombras (The Prowler) Joseph Losey

1951
Pacto Sinistro (Strangers on a Train) Alfred Hitchcock
Por Amor também se Mata (He Ran all the Way) John Berry
Torrente de Paixão (Niagara) Henry Hathaway

1953
Alma em Pânico (Angel Face) Otto Preminger
Os Corruptos (The Big Heat) Fritz Lang
Disque M para Matar (Dial M for Murder) Alfred Hitchcock

1954
A Morte Espera no 322 (Pushover) Richard Quine
Janela Indiscreta (Rear Window) Alfred Hitchcock
Pecado e Redenção (Rogue Cop) Roy Rowland
O Império do Crime (The Big Combo) Joseph H. Lewis

1955
Sábado Trágico (Violent Saturday) Richard Fleischer
O Beijo Fatal (Kiss me Deadly) Robert Aldrich
O Mensageiro do Diabo (The Night of the Hunter) Charles Laughton
O Poder do Ódio (Slightly Scarlet) Allan Dwan

1956
No Silêncio de um Cidade (While the City Sleeps) Fritz Lang
O Grande Golpe (The Killing) Stanley Kubrick
Suplício de uma Alma (Beyond a Reasonable Doubt) Fritz Lang
Ao Cair da Noite (Nightfall) Jacques Tourneur

1957
Honra de um Ladrão (The Burglar) Paul Wendkos
A Marca da Maldade (Touch of Evil) Orson Welles

1958
Um Grito de Terror (Cry Terror!) Andrew L. Stone
Um Corpo que Cai (Vertigo) Alfred Hitchcock
A Bela do Bas-Fond (Party Girl) Nicholas Ray

terça-feira, 25 de março de 2008

Ennio Morricone


Não tinha como eu deixar passar.

Ontem à noite, fui ver o concerto regido pelo Ennio Morricone, no Teatro Alfa, em São Paulo. Apresentação única. Ingressos com preços pela hora da morte. Estavam presentes alguns colunáveis, políticos (vi o Guilherme Afif) e gente do meio musical (tenho quase certeza de ter visto o maestro Júlio Medaglia). Enfim, o beautiful people da capital paulistana.

Mas e o show? Bem, sou suspeito pra falar. Lembro de passar horas escutando as trilhas do Morricone, seja durante os estudos ou no rádio do carro. Lembro de rever alguns trechos dos filmes do Sérgio Leone só pra ouvir a música. Não sei quantas vezes já devo ter visto Era uma Vez no Oeste e Era uma Vez na América. Muito dessa minha paixão vem por causa da trilha. Em Era uma Vez no Oeste não esqueço de seqüências como a da entrada do Henry Fonda no filme (“Agora que me chamou pelo nome...”), a da chegada da Claudia Cardinali na estação de trem e do duelo entre o Charles Bronson e Henry Fonda já mais no final. Em Era Uma Vez na América, não me sai da cabeça o Robert De Niro retirando uma laje da parede, relembrando as escapulidas que dava, quando criança, para ver sua amada Deborah dançar ao som de Amapola (a personagem era vivida por uma jovem Jenniffer Connelly na fase adolescente e pela Elizabeth Montgomery, na fase adulta). Sua parceria com o Giuseppe Tornatore também é um espetáculo. O tema de amor de Cinema Paradiso e o tema principal de A Lenda do Pianista do Mar, são maravilhosos.

Morricone é mais conhecido do grande público por sua trilha de A Missão. O filme que chegou a conquistar a Palma de Ouro em Cannes e foi indicado para uma penca de Oscars. Para o meu gosto, A Missão perdeu muito do seu brilho com o passar do anos (como aliás, quase todos os filmes do Rolland Joffé). É uma belíssima trilha, sem dúvida. Melhor que a de Por Volta da Meia-Noite, que acabou, vai entender o porquê, vencendo o Oscar naquele ano. Mas ainda prefiro as trilha que o Morricone compôs para os faroestes do Leone, para os filmes políticos italianos dos anos 70 (Investigação de um Cidadão Acima de Qualquer Suspeita, A Classe Operária vai ao Paraíso, Queimada e Sacco e Vanzetti) e as três que compôs para os filmes do De Palma (Os Intocáveis, Pecados de Guerra e Missão: Marte).

No espetáculo de ontem (que começou com meia hora de atraso), Morricone abriu com o tema inicial de Os Intocáveis, aquele que toca durante os créditos. Prosseguiu com o belo e épico tema de A Lenda do Pianista do Mar (receio que esse filme não resista a uma reavaliação). Depois, Cinema Paradiso e Malena (outra trilha de Morricone que supera o próprio filme). A melhor parte veio com a apresentação da soprano que o acompanha em todos os shows (cujo nome, agora, me foge). Morricone tocou o tema principal de Três Homens em Conflito (lembrado por todos como o do cigarros Camel), Era Uma Vez no Oeste, Quando Explode a Vingança (talvez a minha preferida) e fechou com Êxtase do Ouro, música mais conhecida de Três Homens em Conflito. Foi um show!

Na volta do intervalo, a programação escolhida era sensivelmente inferior. Ouvimos a trilha de Marco Pólo (desconheço esse filme), Pecados de Guerra, a canção tema de Sacco e Vanzetti e de Queimada (essas duas com o auxílio de um coral brasileiro). O concerto foi encerrado com três partituras de A Missão.

Pra não perder o costume, o público pediu bis e Morricone nos atendeu por três vezes. Claro que era tudo combinado. Nem a orquestra saía de sua posição, nem o Morricone levava suas partituras embora. Todo mundo sabia quando e se ele voltaria para mais um bis. De um modo geral, no entanto, a platéia reagiu de uma forma um pouco fria ao espetáculo. Pelos vídeos que vi do show do Morricone no Rio de Janeiro, a impressão que tive foi completamente diferente. Aplausos efusivos, gritaria, exigiram que o Morricone bisasse mais vezes do que estava programado. Acho que isso vem da própria característica do paulistano, mais racional, menos emotivo que o carioca. Não duvido nada que muitos dos presentes nem eram fãs da obra do Morricone. Estavam por lá mais preocupados em tirar fotos para as revistas de fofoca do qualquer outra coisa.

Como eu não tenho nada a ver com isso, hoje posso dizer que, ao menos uma vez na vida, consegui ver o Morricone ao vivo. Pra quem curte cinema e trilha sonora em especial (e não sei como é possível não gostar das duas coisas ao mesmo tempo), Morricone é programa imperdível. Tenho quase certeza que para os entendidos em música, sua obra seja considerada de segunda linha, uma espécie de "sertanejo da música erudita" (é provável que que todos os compositores de trilhas sonora para cinema sejam vistos com olhos tortos pelos demais colegas, seja o próprio Morricone, John Williams, Bernard Herrmann, Jerry Goldsmith, John Barry, Nino Rota etc. etc. etc.). Como não sou um expert em música, guardo o nome e as trilhas de Morricone como umas das minhas grandes paixões no cinema.

Assim como a noite de ontem.

segunda-feira, 24 de março de 2008

Carrie, A Estranha


Sexta-feira à noite, vejo o Telecine Cult anunciar sua próxima programação: Carrie, a Estranha, do Brian de Palma. Pensei em mudar de canal, afinal Carrie é daqueles filmes que já vi um sem número de vezes. Mas nem bem ele começou, comecei a ver aquela seqüência inicial com a câmera sobrevoando a quadra de voley para se concentrar na Sissy Spacek, seguido do travelling lateral, em câmera lenta, dentro do banheiro feminino do colégio, e não consegui mais me desgrudar.

Carrie é um daqueles filmes com os quais tenho uma relação tão próxima que, hoje, anos depois de tê-lo visto pela primeira vez, tenho enorme dificuldade de analisá-los friamente. Geralmente tenho esse sentimento os filmes feitos no início da década de 80, quando eu começava a me interessar por cinema. Não me peçam, portanto, pra escrever sobre Os Caçadores da Arca Perdida, ET, De Volta para o Futuro, O Feitiço de Áquila, Doublê de Corpo etc. etc. Mesmo vendo claramente os defeitos de cada um deles, permaneço com a visão idealizada lá de trás.

Com Carrie é a mesma coisa. São tantas as cenas que sei de cor, que tenho a tendência de esquecer suas falhas. Revendo-o agora, fica nítida a falta de motivação de alguns personagens (por mais que a personagem da Amy Irving arrependida pelo que fez com a Carrie na seqüência inicial da menstruação, ela nunca abriria mão de ir ao baile e do namorado); a fragilidade das interpretações (a dupla Nancy Allen e do John Travolta parecem amadores e a Piper Laurie dá um show de super-representação); o final abrupto e de certa forma incoerente. Em certos momentos, Carrie lembra um terror B.

Mas o que fica de Carrie é a maestria do DePalma. Sua capacidade de manipular o espectador é impressionante. Seu trabalho de câmera é invejável. Toda a cena do baile ainda hoje impressiona. A entrada de Carrie no salão. A dança com a câmera girando ao redor do casal Carrie e Tommy Ross. Mas nada supera o longo movimento de câmera em que De Palma revela qual o destino que está preparado para a protagonista. A câmera sai da mesa da Carrie, acompanha lateralmente uma das personagens que traz em suas mãos os votos para o rei e a rainha do baile, prossegue com ela entregando os papéis para a comissão julgadora, continua ainda lateralmente mostrando agora uma corda presa à estrutura do palco, repentinamente ela inicia um movimento vertical e vai buscar o balde contendo o sangue de porco, logo acima desse mesmo palco. DePalma realmente já foi grande um dia.

Por traz do verniz de terror, Carrie toca ainda no tema da necessidade de sermos vistos e aceitos pelos outros, da nossa sensação de sermos diferentes dos demais e, por isso mesmo, não estarmos inserido no contexto. A cena inicial da quadra de voley e do banho, quando Carrie tem sua primeira menstruação, retratam bem esse sentimento.

Aliados a outras virtudes (a interpretação de Sissy Spacek e a trilha sonora do pouco valorizado Pino Donaggio), Carrie permanece com um lugar reservado entre meus filmes de terror preferidos.