sábado, 23 de fevereiro de 2008

Oscar, oscar, oscar - Parte I

É, para a galera cinéfila não tem outro assunto mesmo que não seja os Academy Awards. Mesmo para aqueles que adoram desdenhar. Claro que Oscar não é parâmetro nenhum de qualidade, todo aquele blá blá blá que todos nós já sabemos. Mas é algo divertido fazer as apostas, ver com voracidade os indicados, escolher os melhores e, nos bolões, colocar outros nomes porque a gente sabe como a Academia é.

Se o mundo fosse justo (a minha justiça, claro), os indicados a melhor filme seriam outros: Ratatouille - o melhor filme do ano passado, Sangue Negro, Onde os Fracos Não Têm Vez, Na Natureza Selvagem e I'm Not There (que não estreou aqui ainda). Mas eu ainda não sou votante da Academia (haha) e coisas como Juno estão lá. Dos indicados, Sangue Negro é o melhor, cinema puro, experimental, ducaralho. Mas parece que o terreno firme dos irmãos Coen é que vai levar a estatueta. Mas a torcida é grande. Afinal, PT Anderson não só criou uma obra-prima como também é daqueles cineastas que a gente se espelha sempre - poxa, o cara é dono de Magnólia, aquela coisa que faz meu coraçãozinho cinéfilo bater mais forte.

Algo que eu estou apostando esse ano é que quem levar filme (e por conseqüência, roteiro adaptado), não leva diretor - caso clássico da política de compensação da Academia. Portanto, se minha aposta de filme vai pra Onde os Fracos Não Têm Vez, PT Anderson leva diretor. E é o melhor mesmo, vai...

No caso de ator, é barbadaça: Daniel Day-Lewis, o melhor ator em atividade, vai levar com sobras. Se bobear, vai ganhar todos os quase 6.000 votos dos membros votantes. Melhor atriz é páreo duro entre duas grandes atuações: Julie Christie está irrepreensível como a mulher que sofre de mal de Alzheimer em Longe Dela, mas a belezura Marion Cotillard encarna - no sentido literal - a protagonista de Piaf - Um Hino ao Amor. Mas Cotillard provavelmente perderá porque, além de ser francesa, está num filme muito aquém a Longe Dela. Uma pena.

Ator coadjuvante é outra barbada: se Javier Bardem perder o Oscar, será uma grande surpresa. Na verdade, ele é protagonista do filme dos Coen, mas como é também antagonista, foi jogado pra cá. Se estivesse na categoria principal, bateria de frente com Day-Lewis, e a briga seria boa. Já na categoria atriz coadjuvante a briga está ferrenha entre as quatro - porque Saoirse Ronan, só por ter sido indicada, já tá de bom tamanho. A Ruby Dee, felizarda, ganhou a indicação por ter dado um tapa na cara do Denzel Washington. Bom, até eu teria dado um tapa na cara dele naquele filme, pela quantidade de tiques que ele têm no filme todo. A velhinha é a indicação absurda do ano, mas é querida pelos atores (como bem o Régis disse pra mim esses dias) e levou o prêmio do Sindicato. A desconhecida Amy Ryan foi aquela que mais ganhou prêmios na temporada, mas é uma atuação nonsense. As melhores mesmo são Tilda Swinton, a minha favorita, por estar bem no Conduta de Risco, como sempre aliás, e por ser a única chance real do filme levar alguma coisa. Mas é uma atriz fria. E a melhor, Cate Dylon Blanchett, que talvez não leve por a) ter vencido a mesma categoria três anos atrás e b) por ser o tipo de filme e atuação que a Academia não gosta muito.

Continua...

Um comentário:

Diego disse...

Juno é um ótimo filme, mas não merecia mesmo figurar entre os melhores do ano.E acho que Ratatouille menos ainda, mesmo a animação sendo maravilhosa, cada filme no seu devido lugar.Quase garantido que Ratatouille leve o prêmio(merecidamente) de melhor animação, mas caso Persépolis leve, vou achar digno!