quinta-feira, 28 de fevereiro de 2008

Woody Allen

Na última quinta-feira comecei um curso na Casa do Saber, aqui em São Paulo, sobre o cinema de Woody Allen. O curso se estende ainda por mais três aulas. O instrutor é o Sérgio Rizzo, crítico da Folha de São Paulo.

Como cinéfilo, minha primeira reação aos filmes do Woody Allen foi de rejeição. Com o tempo, a gente vai dando uma segunda e uma terceira chance e aqueles filmes antes odiados passam a fazer sentido. O que não tinha graça, passa a ter. Como num passe de mágica.

O Woody Allen nasceu em 1935, o que lhe dá 73 anos (ainda incompletos). Tá bem velhinho. Ele deve ter dirigido uns 35 filmes. Considerando que sua carreira já tem 40 anos começou em 1966, com a comédia What´s Up, Tiger Lily?, é sinal que ele é certamente um dos artistas mais prolíficos de Hollywood, com um média inimaginável de quase um filme por ano.

Acho difícil existir um diretor que manteve a qualidade de suas obras por tanto tempo (talvez o Bergman consiga atingir esse padrão de excelência). Allen dirigiu vários filmes entre os anos 70, 80 e 90, quase eles bons ou muito bons. A crítica costuma destacar seus trabalhos mais tradicionais, como Noivo Neurótico, Noiva Nervosa e Manhattan. Essa mesma crítica despreza a obra mais séria do diretor, como Interiores e A Outra, bem como os filmes realizados ao longo dos anos 90.

Gozado. Claro que Annie Hall e Manhattan são belos filmes (gosto mais do segundo). Mas não entendo como outras de suas obras-primas são descartadas assim tão facilmente. O período da filmografia da Allen que mais me agrada é aquele que vai da metade dos anos 80 à outra metade dos anos 90. Num período de 10 anos, o cara não errou praticamente nada! A Rosa Púrpura do Cairo, Hannah e Suas Irmãs, A Era do Rádio, A Outra, Crimes e Pecados, Simplesmente Alice, Maridos e Esposas (quando é que alguma distribuidora vai lançá-lo em DVD?), Um Misterioso Assassinato em Manhattan, Tiros na Broadway, Poderosa Afrodite, Todos Dizem Eu Te Amo e Descontruindo Harry. Qual diretor pode ostentar tanta qualidade em sua filmografia?

No entanto, como tudo na vida um dia chega ao fim, já tá mais do que evidente que esse nível de excelência mantido pelo Woody Allen despencou na última década. De Celebridades a Scoop (tirando aquela obra-prima chamada Match Point), ele não dá uma dentro. Se antes eu corria ao cinema de Santos mais próximo para ver o novo filme dele (o qual, provavelmente, estava estreando com dois anos de atraso), hoje, espero tranquilamente seu lançamento em DVD ou sua exibição na TV a Cabo. Um deles, Melinda e Melinda, não vi até hoje. O Escorpião Jade, Igual a Tudo na Vida e Dirigindo no Escuro são simplesmente tétricos, indignos de um artista como ele.

Penso que o grande problema do Woody Allen é o pouco tempo que sepera cada um de seus filmes. Se essa produtividade não era uma trava para a sua criatividade nos anos passados, hoje fica nítido que a pressa vem gerando filmes menos inventivos, personagens rasos (o que nunca foi a sua marca), piadas menos inspiradas. A impressão que dá é que ele pega um amontoado de piadas que deve ter arquivadas, junta tudo e tenta transformar num longa-metragem. Só que a coisa não dá liga. Ele deveria se afastar da atuação e se dedicar exclusivamente à direção (como fez em Match Point) e, principalmente, elaborar melhor os roteiros e as tramas.

Quem sabe assim teríamos nosso Woody de volta...

2 comentários:

Anônimo disse...

Eu não sei quando descobri Woody Allen, só sei que o estilo me encantou no primeiro filme que vi.

óbvio que um cara com uma lista assim tão longa não deve acertar a mão em todas, mas é INCRÍVEL como todo filme (os q eu vi, pelo menos) ele deixa alguma coisinha especial. Mais do mesmo? Talvez... Mas que eu adoro esse mesmo, eu adoro. :p

felipe_zucchini disse...

Como já disse várias vezes no CP, considero o judeuzinho um ícone no cinema, um dos melhores diretores de todos os tempos, senão o melhor. Meu filme favorito é dele - "Annie Hall". Além desta obra-prima de 1977, ele fez outras mais, citadas pelo Régis no seu post, sendo "Manhattan", "Hannah e Suas Irmãs", "A Rosa Púrpura do Cairo" e "Match Point - Ponto Final" as melhores. Nenhum filme de Allen é dispensável, pois sempre tiramos dele alguma coisa, mesmo de "Igual a Tudo na Vida", um de seus piores filmes, ao lado de "Bananas". Definitivamente, Allen jamais será esquecido na história da 7ª arte.