quarta-feira, 12 de março de 2008

Série "Conversas de Bar" - Tarkovski

(ou ainda a melhor maneira de impressionar os seus amigos e mesmo assim não pegar ninguém)
Quer parecer o mais bacana da turma cinéfila? É, meu amigo, a coisa não é fácil, vai ter que ver muito filme e beber muito café.
Ou você pode poupar (agora mesmo!) essa trabalheira toda decorando algumas poucas palavras e conceitos, daqueles que impactam qualquer um no meio do gole da cerveja.
Segue ao final do post o número da minha conta bancária.




Ah, Andrei Rublev... 205 minutos do que dizem ser o melhor filme soviético (não é nem europeu, é russo...) da história, né? E nenhuma, mas nenhuma mesmo, cena daquelas malucas/frenéticas à lá Eisenstein que fazem o olho de qualquer um acordar...
E aí, como emplacar? Simples, fácil, e ainda vai te dar uma aura cult e pop ao mesmo tempo - diga algo mais ou menos assim: "o filme pode ser resumido, em poucas palavras, com algo como (parafraseando um super-herói famoso - se parafrasear não for pegar pesado, claro, analise as pessoas à sua volta) com grandes poderes vêm grandes responsabilidades".
Pronto, não foi rápido e indolor? Nem pra contar como o primeiro Corleone morre você demora menos tempo!
















Stalker?
Não tenha medo só porque metade da equipe morreu pra fazer esse filme. Tudo que você tem que dizer pras pessoas é: "vocês prestaram atenção ao começo e ao final do filme?". Depois disso, como a maioria vai dizer que não (porque como diabos lembrar de algo de um filme assim, convenhamos), é só tascar um "o que Tarkovski quer dizer em Stalker, e não nos esqueçamos de que seu cinema é muito ligado às questões espirituais, e que por isso ele foi muito perseguido na antiga URSS, é que Deus é amor". Muita gente vai achar que você está inventando. Seja intransigente e cite o milagre do copo na cena final (momento do filme em que o cérebro de todo mundo, caso tenha se sustentado até então, deve fundir sem chances de recuperação).


Já falamos do mais longo e do mais difícil, tá na hora do mais famoso.
Solaris é batata, não tem como errar e vai ser fácil de convencer as pessoas sem precisar fazer muita cara de sabido. "O que o filme nos mostra é que, mesmo quando nos distanciamos fisicamente, nunca saímos de casa". Se precisar, lembre as pessoas das duas cenas na casa do protagonista, a primeira com a água fluindo, a segunda com tudo parado.

Agora, se te perguntarem algo sobre O Espelho, seja sutil, use palavras como "reminiscências", "poesia audiovisual", "uma viagem para a qual não há palavras" e adicione tempero a gosto.

Se não funcionar é porque você não fez direito, confie.



Em breve trarei mais do mesmo pra emplacar em qualquer roda de boteco que fale sobre cinema cabeça, traduzindo para a linguagem coloquial alcoolizada obras como A Montanha Sagrada de Jodorowsky e O Processo de Joana D'Arc de Bresson. Vocês não perdem por esperar.

4 comentários:

Léu disse...

É ao ler um post como seu que eu começo a quase chorar de desespero, por não ter visto tais filmes citados, pois o maior problema mesmo é conseguir achá-los por aqui!

Mas valeu mesmo pelas recomendações, porém depois de algumas cervejas fica praticamente impossivel eu dizer sequer metade das suas palavras citadas rs rs...

Enfim o que vale é a tentativa não é?

Abs e continue com os post´s!!!

LéuMarktt

Carlos Norcia disse...

É, eles saíram todos pela continental, q além de ser uma merda é difícil de achar.
Então se precisar de uns bons links, é só avisar q eu te passo pra vc baixar (até pq eles tão soltando os filmes tudo em edição pirata, então dá no mesmo).

Léu disse...

Poxa quero sim!!! Ficaria extremamente agradecido ^^

Carlos Norcia disse...

Cara, www.avaxhome.info/blogs/fnb47 é o caminho do paraíso. Tá nas primeiras páginas.